
Hoje de madrugada, estava assistindo um de meus programas prediletos, Altas Horas. Serginho anunciou Walter Casagrande, aquele, comentarista de futebol. Pensei: "Ah que chato, vão falar de futebol", mas não. Serginho pergunta por que Casagrande havia se afastado um pouco da mídia. Então, ele responde que é dependente químico. Pronto, isso chamou a minha atenção, e a de todos na platéia. Ninguém esperava um assunto desses, e uma entrevista que todos pensavam que ia ser "chata", acabou por ser uma das mais produtivas que eu já vi.
Casagrande é, atualmente, comentarista licenciado pela globo, e, no passado, fora um famoso atacante de futebol. Na entrevista ele relata como as drogas quase que destruíram com a sua vida.
Casagrande diz que começou a usar drogas ainda muito jovem, usava uma vez ou outra e achava que não era dependente, que podia parar a hora que quisesse, mas a verdade é que ele já havia se tornado dependente químico de nível gravíssimo.
"Cheirava e me injetava, mas achava que isso não era doença. Pensava que podia parar, mas a dependência química é progressiva, fatal e incurável. Vou ter que conviver com ela até o fim da minha vida, mas nunca mais quero ter overdose na frente do meu filho de 12 anos".
Quando lhe perguntam qual foi o pior momento que ele viveu devido às drogas, ele responde que foi na noite em que ele teve uma overdose na frente do seu filho de 12 anos.
"Tinha tudo para ser uma noite normal e feliz. Chamei meu filho para jantar fora, ele disse que precisava tomar banho. Eu estava com a droga no bolso, não queria levar para o restaurante, também não queria deixar em casa, resolvi injetar, pensei que não faria mal. Era uma quantidade muito grande, então eu tive uma overdose dentro do banheiro, me debatia, enquanto meu filho de 12 anos estava do outro lado da porta sem saber o que estava acontecendo. Isso nunca vai sair da minha memória, não por eu querer me torturar, mas sim para eu me lembrar o que a droga me fez passar".
"Ainda me lembro do meu filho olhando meu estado no hospital. Acho que ele preferia me ver morto do que me ver naquele estado".
Casagrande relata que foi difícil ele aceitar que era um doente, pois, ele oscilava entre momentos bons e ruins, achava que podia parar quando quisesse, e que as drogas não estavam lhe causando mal algum, e que se viesse a causar, ele parava. Ele lembra que antes da copa do mundo de 2006 teve uma crise, e por isso, podia perder a oportunidade de trabalhar comentando os jogos da seleção na copa. Ele conseguiu se recuperar, e ainda viajou, disse que se trancava no quarto do hotel para não ir atrás de drogas, e assim conseguiu terminar o período da copa sem usar drogas. Mas, quando volta ao Brasil, ele tem uma recaída ao assistir o filme "Ray Charle", e volta, novamente, a injetar.
"um dependente tem que trabalhar o seu psicológico, pois por coisas simples como um filme, uma imagem, uma recordação, a pessoa pode sentir vontade de se drogar novamente".

Lhe perguntam sobre o tratamento que ele fez. Casagrande responde que na última, e a pior, overdose, quando acordou estava numa clínica de reabilitação. Disse que sofreu nos primeiros quatro meses, pois, ainda não se aceitava como um doente, mas que depois foi se adaptando. O tratamento durou dois anos. Há duas semanas Casagrande deixou a clínica, mas ainda faz um tratamento para evitar recaídas, e todo dia tem que ir a clínica.
Casagrande, hoje, se mostra totalmente centrado, quer definitivamente deixar de ser dependente e não teve vergonha alguma de relatar sua vida em um programa de nível nacional e internacional, para que sua história sirva de lição a todos que não querem passar por todo o sofrimento que ele passou.
Foi, com certeza, uma entrevista sensacional, que deve ter tocado a todos que assistiram, e o meu objetivo em mostrar isso aqui é de chamar a atenção dos meus amigos jovens que por algum motivo já usam algum tipo de droga, que isso pode gerar um problema enorme a sua vida. Você quer isso para a sua vida? Conviver com essa dependência que vai te destruindo aos poucos como se fosse uma bomba relógio? Não, não é necessário. Logo nós, que temos sorte de poder ser feliz, somos saudáveis, temos amigos, podemos muito bem nos divertir sem influência dessas drogas malditas que só podem trazer a ilusão de bem-estar momentâneo. Eu gostaria muito de não ver nenhum dos meu amigos com essa dependência. Por favor, antes de usar qualquer tipo de droga, pense várias vezes no que você vai fazer. Você pode estar entrando em um caminho que pode dar fim à sua vida.
Lucas Reis.

2 comentários:
Adorei o texto e o relato de vida...
muito comovente!
isso tá crescendo rápido. rápido e bem :}
tô gostando, rucas.
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